segunda-feira, 16 de julho de 2018

Férias low cost e desligando dos investimentos

Fala pessoal,

Hoje começam minhas merecidas férias, então não pretendo me preocupar com investimentos, mercado financeiro nem olhar minhas contas nos próximos dias. Missão: desligar total!

E pegando carona no modo frugal de se viver, enquanto a manada procura destinos frios na montanha nessa época , sigo contrário ao fluxo e me encontro hoje no litoral de São Paulo, com a sorte de pegar uma semana com máximas de até 28 graus, na casa de alguém da família, com custo de hospedagem zero.

Então, enquanto a maioria paga os olhos da cara em lugares badalados estou bem contente porque além de relaxar na praia a custo baixo, isso me possibilitará um aumento nos aportes e aumento de patrimônio quando eu retornar .

Então, se você almejja alguma liberdade financeira, mais uma vez vale reforçar: tudo é questão de mentalidade e do que você está disposto a abrir mão agora em troca do futuro.

Não quero parecer radical . Não precisa abrir mão daquela viagem que você sempre sonhou, talvez para a Europa, desde que tudo seja feito com o devido planejamento.

Isso é o que faz sentido para o meu plano de IF agora.

Para estar no caminho certo da liberdade financeira, ou independencia financeira (IF) não tem segredo: você tem que ter seus gastos sob controle, permitindo aportes previsíveis e buscar meios de aumentar suas receitas com o tempo.

Parece simples, mas no final tem tudo a ver com conhecer-te e controlar seus impulsos e hábitos. E isso é uma jornada para toda vida.

Abraços

segunda-feira, 2 de julho de 2018

[Post atualizado] Minha experiência de viver no exterior: alguns obstáculos que ninguém fala, e meu aprendizado...

Fala pessoal, na semana passada eu tinha subido esse post sem querer, antes de terminar. Então, segue a versão revisada...




Hoje vou deixar os investimentos um pouco de lado, para falar sobre um tema que tem ficado quente na maioria dos blogs: a vontade do brasileiro de largar o país e ter uma vida melhor no exterior. 




Há alguns anos tive a oportunidade de morar no exterior por um período de aproximadamente três anos. Foi em um país de primeiro mundo, que não vou citar aqui por questão de privacidade.


Ao contrário da maioria dos que estão tentando sair do Brasil hoje, fui em um esquema "mais garantido". Eu trabalhava em uma multinacional e fui enviado para a matriz para um período de expatriação, para trabalhar em um projeto específico. Então tinha toda uma estrutura por trás, tanto financeira quanto de apoio para as mais diversas questões


Porém, mesmo com toda essa estrutura e benefícios, não foi uma experiência fácil.


Ao lado de uma série de coisas bacanas e todo o aprendizado que tive nesse período, teve muita coisa ruim, muitas desvantagens que a maioria das pessoas que querem sair do Brasil não vê.



Tive momentos de desespero, de querer ligar o "botão do f@da-se", largar tudo e voltar, principalmente devido a aspectos culturais e de preconceito. Mas, com o tempo, passei a ter também momentos fantásticos de convivência com alguns nativos e com a cultura de uma maneira que poucos brasileiros teriam.


E queria compartilhar um pouco, tanto dos prós quanto os contras, com quem está pensando em se aventurar no exterior, pois vejo muita ilusão e pouca pesquisa e planejamento para entender o que realmente pode se esperar de uma vida lá fora.



E antes que alguém venha falar "ah, mas você foi em um esquema diferenciado, e com data para voltar", vamos combinar o seguinte: vou tentar passar o meu ponto de vista sobre coisas que acho que aconteceriam de qualquer maneira tanto com um expatriado quanto com um "imigrante padrão", aquele que abandona tudo e parte para o estrangeiro sem muito apoio nem data para voltar. 
 
Vou falar primeiro dos pontos negativos, e ao final dou um breve resumo dos pontos positivos mais comuns a todos, que geralmente são bem conhecidos. Vamos lá.
 
Pontos Negativos

Como o brasileiro é mal visto no mundo
 
Essa é uma coisa muito ruim que percebi naquela época, mas não tinha muita noção. O  brasileiro, em geral, tem má reputação em diversos países do primeiro mundo.
No melhor dos casos, pode até ter um tratamento neutro, mas nunca será tratado como outros visitantes de países do primeiro mundo.
 
Especialmente no país onde morei, brasileiros em geral tinham má fama devido àqueles que imigraram antes para serviços mais simples ou braçais. A razão é que estes acabaram formando verdadeiras comunidades de brasileiros, como guetos, e, com isso, veio junto toda a sorte de vagabundos, aproveitadores e praticantes de pequenos furtos ou golpes na praça. Apesar de nós sabermos que esses são minoria, o gringo não quer saber, e acaba generalizando para todo e qualquer brasileiro, até que se prove o contrário.
 
Xenofobia ou racismo
 
Aqui falo mais dos brasileiros de pele mais escura, negros ou pardos. No meu caso, como tenho a pele bem clara, não sofri nenhum preconceito, mas testemunhei vários colegas sofrerem discriminação simplesmente por sua aparência. Além disso, escutei algumas vezes turmas de gringos fazendo comentários pejorativos sobre eles, referindo-se a eles com apelidos de animais, entre outros mais pesados.

Bullying contra crianças nas escolas
 
Este ponto também não sofri na pele, pois era solteiro e sem filhos, mas tinha amigos expatriados que foram com filhos pequenos. E tiveram que frequentar a escola junto com os filhos dos gringos. Segundo me relataram, o bullying contra filhos de brasileiros era violentíssimo, tanto por parte das crianças, quanto por parte dos pais, e às vezes até mesmo de professores. Tenho um exemplo recente, de um colega da empresa atual que está expatriado em um país bem pouco miscigenado. A esposa dele acabou de largá-lo, pegar o filho e voltar para o Brasil, pois não aguentava mais ver o sofrimento diário do filho com o bullying na escola.

Discriminação no trabalho (em relação à sua competência ou capacidade intelectual)
 
Se você tiver a sorte de ir em um esquema mais estruturado, como eu fui, ao invés de encarar os empregos mais simples no setor de serviços, prepare-se. Por mais competente que você seja dentro de sua empresa, você nunca será avaliado com a mesma régua dos locais. Os chefes sempre duvidarão da sua capacidade e você terá que mostrar resultados bem acima de um nativo para obter o mesmo respeito e, eventualmente, ter as mesmas chances de ser contratado para um emprego na matriz. Aqui mais uma vez a questão não é técnica. É uma reação muito mais emocional do que racional. No nível subconsciente, eles estão tentando proteger a raça local de uma ameaça externa.

Salário e benefícios
 
Este ponto é bastante particular, depende da situação de cada um. Se você consegue um emprego em sua área de atuação, de nível superior, dependendo da negociação pode ter um bom salário e benefícios que lhe possibilitem ter uma vida confortável. Porém, nas principais cidades do primeiro mundo o custo de vida é bem alto. Então, se sua idéia é ficar alguns anos para fazer um “pé de meia”, saiba que terá somente duas opções: ou escolhe ter uma vida confortável, ou escolhe juntar dinheiro. Não há meio termo!
 
Conheço muita gente que juntou um bom dinheiro. Mas é gente que nunca fez uma viajem para um país vizinho, raramente viajou internamente, mesmo em feriados, e praticamente não teve momentos de lazer.
 
Agora, se você for para “tentar a vida”, e trabalhar em empregos mais simples, como faxineiros, garçons e atendentes, será ainda mais difícil. Conheço muitos que foram para a Europa e vivem em repúblicas, raramente tem momentos de lazer, e mesmo com muito sacrifício juntam no máximo uns 500 euros por mês. Mas em troca de uma vida cheia de privações.
 
Quero ressaltar aqui, que não estou fazendo recomendação alguma, tipo “vá ou não vá”. Isso é uma decisão pessoal e acho que depende muito da situação que a pessoa enfrenta no Brasil, para pesar se vale à pena encarar ou não.


Família e amigos


Finalmente, esse é o ponto que mais "pegou" para mim, e acho que também para a maioria.


Você tem que saber que, ao deixar o Brasil, se afastará de maneira definitiva de sua família e de seus amigos no Brasil. Mesmo com pai e mãe sua relação não será mais a mesma, será distante e mais fria.


Os amigos ficarão para trás, e, mesmo que mantenha algum contato via Skype, whats up, ou redes sociais, não será a mesma coisa. Alguns se afastarão de forma definitiva.


Você será obrigado a começar toda uma vida social do zero lá fora. E é um processo longo e nada fácil.


E, garanto, você nunca deixará de sentir falta de sua família.




Mas e os pontos positivos de se morar no exterior?
 
Bem, meus amigos. Como nem tudo são pedras, trago aqui a boa notícia: tem muitos pontos positivos também, especialmente em relação a seu crescimento como pessoa.
 
Não vou ficar listando todos aqui, pois o post já está bem longo. Então vou fazer um outro post, detalhando o lado bom de se morar no exterior, OK?
 
Então por hoje é só. Se você está pensando em se mudar para o exterior, esse é o relato de alguém que viveu na pele a experiência.

Espero que ajude...

Abraços

terça-feira, 19 de junho de 2018

Cansei de gastar tempo analisando e comprando ações: vou investir em ETFs

Fala galera,

Espero que estejam todos bem.

Essa semana, assistindo a uma entrevista com um gestor profissional de fundos de investimento, algo me chamou a atenção: mesmo entre gestores profissionais, muitos não batem o índice Ibovespa.

Você já imaginou colocar seu dinheiro em um fundo de ações, por exemplo, com um gestor experiente, que tem toda uma equipe de análise por trás, e após alguns anos estar perdendo para o índice Ibovespa?

Geralmente esses fundos cobram em torno de 2% de taxa de administração ao ano, justamente para remunerar esse profissionais do mais alto gabarito, e ainda 20% de todo o lucro que exceder o índice Ibovespa. Então espera-se que eles sejam capazes de dar um resultado diferenciado.

Mas o que esse gestor queria dizer na entrevista era o seguinte: se mesmo alguns profissionais não conseguem bater o índice, por que você, um investidor amador, seria capaz de batê-lo?

E isso me fez refletir o tanto de ações que comprei e vendi nos últimos anos. Realmente não foi pouco. Mas o que realmente importa é o tempo que gastei estudando as empresas, buscando informações relevantes, ou estudando livros de Finanças. Foram muitas e muitas horas empenhadas.

Ao final, esse gestor recomenda que investidores pessoa física, ou amadores, como a maioria aqui, invistam em ações através de ETFs, que são fundos negociados em Bolsa que replicam o desempenho de um índice. Você só tem que saber o tamanho do seu portfólio que será alocado em Bolsa brasileira por exemplo, e comprar o equivalente no ETF adequado e pronto.

Não precisa gastar horas e horas entrando em sites de RI das empresas, buscar informações, analisar. Só precisa saber, de forma geral, se é um bom negócio investir em ações no Brasil em um determinado momento.

Para ser mais específico, segue a definição do site da BMF/Bovespa:

"O ETF de Ações, também conhecido como Exchange Traded Fund (ETF), é fundo negociado em Bolsa que representa uma comunhão de recursos destinados à aplicação em uma carteira de ações que busca retornos que correspondam, de forma geral, à performance, antes de taxas e despesas, de um índice de referência. Como índice de referência do ETF de Ações admite-se qualquer índice de ações reconhecido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM)."



Dei uma pesquisada no ETF negociado com o código BOVA11, que replica o índice Ibovespa. Ou seja, comprando BOVA11 você estará comprando indiretamente todas as ações que compõem o índice Ibovespa, pagando pouco mais de 0,5% em taxas.

E os dividendos eventualmente pagos por qualquer uma das empresas são automaticamente reinvestidos no fundo.

Nunca parei para calcular a rentabilidade de minha carteira de ações versus o índice Ibovespa, mas acredito que a rentabilidade deve estar muito próxima, pois nos últimos dois anos praticamente tudo subiu muito na Bolsa.

Acredito que tudo na vida é estudo e prática, para ficar bom em algo. Então, estudando bastante e aprendendo com os erros é possível gerir sua própria carteira de ações de forma ativa e obter um bom resultado.

Mas a minha duvida é em relação ao tempo gasto: vale à pena todo o esforço da gestão ativa? Será que é possível bater o índice de forma consistente e com uma boa margem de lucro?

Senão, acho que valeria mais à pena mesmo investir em BOVA11, para a parcela do capital destinada a Bolsa local. Ou algum outro ETF ou uma composição deles.

Lembrando que há outros tipos de ETFs disponíveis, que simulam carteiras de dividendos, outros que seguem o S&P 500 (índice de ações americano), entre outros.

Segue link para lista de ETFs disponíveis: http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/produtos/listados-a-vista-e-derivativos/renda-variavel/etf/renda-variavel/etfs-listados/

E você? O que acha? Ainda vale à pena fazer a gestão ativa de sua própria carteira de ações?

Abraços



domingo, 17 de junho de 2018

Copa do Mundo: você está do lado da manada ou dos que estão ganhando dinheiro?

Fala galera,


Começou! Mais uma Copa do Mundo para nosso país parar mais um pouco, deixar de gerar riqueza enquanto a grande maioria fica na frente da TV enchendo a cara de cerveja e soprando uma vuvuzela.


Desde a semana passada já podemos ver bandeiras do Brasil nas janelas de casas e apartamentos, e umas bandeirinhas menores até nos carros.






Mas o ponto que quero tocar hoje é que, enquanto muitos estão gastando seu tempo vendo o futebol e preocupados com toda a festa em volta, tem um grupo menor, e mais esperto, que sempre aproveita para ganhar dinheiro enquanto a manada está enlouquecida.


Ontem fui ao centro da cidade onde moro, junto com um colega de trabalho, para resolver umas pendências. Era hora de almoço, então teríamos que ser rápidos para finalizar tudo.


Enquanto fui no cartório, resolver pendências sobre um negócio onde devo ganhar uma grana boa, meu colega foi a uma loja de esportes atrás de uma camisa do Brasil. Em seguida, voltou de lá indignado com o preço de R$400 reais pela "amarelinha" oficial da seleção.


Não comprou, mas acredito que até hoje, antes do jogo do Brasil, já deverá ter comprado alguma um pouco mais barato, ou mesmo a oficial, se não tiver encontrado outras opções de seu agrado.


Você já parou para pensar que tem um mercado gigantesco de coisas inúteis, que provavelmente ficarão no armário até a próxima Copa? Quando você irá usar a vuvuzela de novo?


E aquele chapeuzinho, tipo cartola? E a bandeira do Brasil? Quantas vezes você usou nos últimos quatro anos?







Isso sem contar na quantidade extra de cerveja que será vendida nas próximas duas semanas, ou comidinhas nos botecos que estarão lotados.  Ou até mesmo camisinhas...Me lembrei da Vila Madalena, na Copa de 2014, que virou um verdadeiro Carnaval fora de época. Galera ensandecida, vizinhança chamando a polícia porque o povo fazia sexo na rua, e até no jardim das casas.








Eu queria mesmo era dividir com vocês a reflexão que fiz hoje: por que não pensei antes em como ganhar dinheiro com essa euforia da manada? Poderia ter mandado fazer umas 100 camisetas e botar para vender? Ou ter importado um lote de vuvuzelas? Se tivesse gastado um tempo pensando tenho certeza que poderia ter feito um dinheiro com a Copa.


Pelo menos, sei que não vou gastar nada com essas porcarias, nem mesmo uma mísera bandeirinha do Brasil de plástico. Muito menos com camisetas. Meu dinheiro eles não vão tomar...


Mas realmente eu poderia ter sido mais esperto e ficado do lado dos que vão ganhar dinheiro com esse evento.


Então a reflexão que fica é essa. Enquanto milhões param um país inteiro, para ver onze muleques correndo atrás de uma bola, e essa mesma audiência dará mais alguns milhões de euros para cada um deles até o final do evento, nosso país não cria nada, e a economia para.  O pobre continua pobre,  o "classe média" continua "classe média" e daqui a duas semanas,tudo estará na mesma. 


Se for campeão, talvez seja até pior, pois aí que o povo fica anestesiado e esquece que temos um país falido que deverá escolher um presidente esse ano.


Então, sempre que a manada ficar enlouquecida em função de eventos de massa, de que lado você quer estar? Do lado da massa, ou do lado que lucra sobre ela?


Abraços















domingo, 3 de junho de 2018

Investindo em empresas "corruptas" na BOVESPA... E especulando com opções de compra (Calls)


Olá meus caros,


Espero que estejam todos bem.


Agora que a greve dos caminhoneiros já passou, e todo mundo já está de tanque cheio e geladeira abastecida, dá para pensar com mais calma sobre o que ocorreu, e os impactos futuros sobre a economia e nossos investimentos.


Sinceramente, fiquei bem decepcionado com essa greve, pois vai atrasar ainda mais a fraca recuperação do país. Mas dessa vez até que dei sorte. Como já havia comentado em postagens antigas, eu já saí fora da Bolsa quase por completo. Estou com minha menor alocação histórica em Bolsa dos últimos anos.


Estou com aproximadamente R$30.000 em ações na Bovespa, isso porque tenho algumas porcarias que tentei vender, mas não consegui no dia que coloquei a ordem e acabei segurando (ex: CMIG4 e GUAR4). Pra quem tinha mais de R$ 300.000 só em Bolsa há alguns meses, minha alocação hoje é menor que 10%.


Eu havia saído fora da Bolsa por duas razões principais: fazer negócio com um imóvel (comprar uma "oportunidade" e vender a 30% a mais), o qual não concretizei ainda, e por achar que, em ano eleitoral, poderia perder muito dinheiro com a volatilidade, visto a complicada situação política dessa república de bananas.  


Quando a Bolsa chegou em 85.000 pontos, fiquei bem tentado a continuar na euforia e dobrar a aposta. É impressionante como a mente humana quer seguir a manada no momento de euforia. Todo mundo falando pra comprar, analistas falando de Bolsa a 120.000 pontos e bancos de investimento recomendando tudo quanto é ação.  Agora o "angu desandou".


Mas, analisando racionalmente, eu já tinha começado a achar estranho esse otimismo todo com o Brasil, visto que nossa economia ainda está capenga e a previsão de crescimento de PIB de pouco mais de 2% é ridícula para um país que saiu de um buraco monstruoso.


Em minha opinião, pra dizer que estamos nos recuperando, a economia deveria crescer pelo menos uns 5% ao ano. E isso não vai acontecer nesse governo, simplesmente porque o Brasil tem um rombo fiscal monstruoso, e enquanto isso não for resolvido os grandes investidores não colocarão seu dinheiro em nossa economia.  


Com as reforminhas que o Temer conseguiu aprovar, conseguimos fugir de uma tempestade e estamos como aqueles sobreviventes que chegaram em uma ilha deserta, pela sorte da correnteza, com mastro e vela quebrados, casco furado,  sem comida nem água. Tipo Forrest Gump. E mais importante: sem capitão.


Então, voltando ao assunto dos caminhoneiros, juntamente com o crescimento pífio da economia. Pra mim isso foi só a ponta do iceberg. O povo percebe no bolso que a economia quase não melhora. E os caminhoneiros estavam sentindo mais (devido a uma série de impactos sobre o setor deles que não vou entrar em detalhes aqui - exemplo: oferta x demanda de fretes).


Muita gente continua desempregada, ou em empregos muito piores do que tinham há alguns anos. De outro lado, o governo sempre toma mais dinheiro de impostos para manter seus benefícios e se manter no poder. Quem vocês acham que vai pagar a conta da redução do preço do Diesel na bomba?


Então, pra mim há uma vontade de revolta latente no subconsciente da população. Só que o brasileiro é historicamente passivo, e pacífico. Se não tiver alguém pra "puxar a massa", incentivar, nada acontece.  Então, dependendo de quem conseguir manipular essa vontade da população, podemos ter tanto uma mudança muito boa, ou algo trágico (como no caso de uma esquerda radical conseguir manipular essa força).


Portanto, meus amigos, estou no modo "espera" em relação ao mercado financeiro de renda variável. Tem gente que fala que o certo é o Buy & Hold. Sinceramente, com essa zona toda que é esse país, será que Buy & Hold funciona aqui? Ou não seria melhor sair quando você já ganhou algum dinheiro e voltar após as coisas estabilizarem um pouco? Pelo menos até ter uma noção do que pode acontecer. Por exemplo, até ter certeza de que um Ciro Gomes, ou outro comunista, não tenha chances de ganhar as eleições.


Eu não estava afim de pagar para ver meu dinheiro derreter uns 30% em função de coisas que só acontecem em um país extremamente corrupto e desorganizado. Vamos pegar só o exemplo da Petrobrás: quem investiu nela confiando no trabalho do Parente, que realmente mudou a empresa e tornou-a lucrativa, teve uma perda brutal de capital nas últimas semanas. E vários bancos de investimento e "casas de análise" estavam recomendando compra para PETRO4.


Quanto tempo vai levar, para um investidor Buy & Hold recuperar o que perdeu com PETROBRÁS? E quem investiu em Banco do Brasil, e estatais de maneira geral, que caíram também pela falta de confiança dos investidores externos?


Isso sem falar de casos como da Hypermarcas (agora chama Hypera).  Apesar de não ser estatal, era uma das queridinhas de quem comprava para receber dividendos e, de repente, caiu na imprensa que pagava propina para políticos também. CEO pediu a conta, CFO também, estão respondendo na Justiça e agora a empresa está fechando um acordo de leniência na casa de BILHÕES.


As ações (HYPE3) derreteram mais de 40%. Eu tinha uns R$ 30.000 em ações dessa empresa e, por sorte, tinha vendido antes, para fazer caixa para o negócio com imóvel que comentei. Mas me dá calafrios saber que poderia ter perdido mais de R$10.000 por causa da má gestão e corrupção.


Agora estão falando que, se o Palocci delatar, vai implicar mais um monte de empresas, principalmente bancos. Será que vai delatar Itaú e fazer afundar ITSA4 e ITUB3? A queridinha das ações? Eu ainda tenho um tanto de ITSA4.




Bom, meus amigos, assim é o mercado brasileiro de ações. Assim como tudo nesse país, seu funcionamento é reflexo do comportamento oportunista e malandro de nosso povo. As empresas "adequam-se" ao sistema. Fazem o jogo do governo para manter-se lucrativas. Então acho que a maioria pode estar envolvida em algum esquema. Ou, no mínimo, sonegando impostos.


Agora, face a esse quadro sujo, o que fazer? Onde investir para tirar algum ganho maior que a renda fixa?


Bom, no meu caso, vou alocar muito menos em Bovespa, mas ainda vou ficar posicionado em algumas ações que podem "repicar" (ex: Banco do Brasil). Por mais louco que pareça, lá na frente Bovespa pode subir bem, a depender do que aconteça nas eleições.


Comprar na baixa e vender na alta ainda funciona na maioria das situações, mesmo em mercados menos confiáveis e corruptos como o nosso. Não pode pensar muito no lado moral ou ético da coisa, senão não se investe nesse país. Mas deve-se medir o risco de algo vir à tona e o preço desabar.


Vou continuar monitorando os possíveis cenários para as eleições. Se as chances forem grandes para um candidato mais liberal com a economia, Bovespa pode ter outro rally de alta. Mas a maior parte do meu capital, esse ano, pretendo deixar longe da Bovespa. Vou tentar investir no exterior. Incialmente indiretamente (através de fundos) ou, em uma segunda fase, diretamente (via abertura de conta no exterior). Algo que estou enrolando há algum tempo, e já deveria ter feito.


TRADES COM OPÇÕES - POSIÇÃO ATUAL


Para quem tem estômago, e disposição em assumir riscos, inclusive de 100% de perda, é possível ganhar dinheiro no mercado de opções. E é isso que mais estou fazendo nos últimos meses.


Como falei em meu último post, minha idéia era "lucrar com a desgraça" da greve, apostando na baixa da Petrobrás, comprando PUTS (opções de venda). Acontece que deixei para fazer isso na Segunda-feira e o "bonde havia passado". PETRO já havia desabado quase 20%.


Aí mudei a estratégia e comprei opções de compra (CALLS) apostando em um repique. E assim estou posicionado.



Não confio na gestão da  PETRO, muito menos no sócio majoritário (governo), mas tento lucrar com a volatilidade das opções, no meio dessa "zona".


Como já falei antes, lucrei bastante com opções de compra (CALL) no mês passado. Quase R$6000,00 de lucro. Mas foi antes da greve, e da demissão do Parente e intervenção estatal na empresa.


Agora estou posicionado em um lote de 2000 opções de compra(1000 PETRR21 + 1000 PETRR22)  mas em função da queda da semana passada, minhas opções caíram muito.


Não acho que vai chegar a R$21,00 ou R$22,00 até o vencimento. Então estou torcendo para dar um repique essa semana e encostar em R$20 pelo menos, para eu poder vender as opções perto do preço que paguei. Mas a demissão do Parente na Sexta-feira passada terminou de "ferrar" tudo.


Esse é o mundo das opções. Então, não recomendo que se aventurem com opções, sem antes estudar muito, pois o risco é altíssimo.


Abraços




















domingo, 27 de maio de 2018

Lucrando na "desgraça": como pretendo ganhar dinheiro com a greve dos caminhoneiros...

Caros confrades e visitantes do blog.


Espero que estejam todos bem, com algum combustível no tanque e sem produtos de primeira necessidade faltando em casa.


Parece piada, mas esse é o país que vivemos. E, em minha modesta opinião, assim o será enquanto ficarmos assistindo passivos a um eterno governo gigantesco que só consome a riqueza gerada por nós, na forma de tributos, ou propinas, oferecendo muito pouco em troca.






Para mim, essa crise do preço dos combustíveis é só a ponta do iceberg. Os caminhoneiros pararam o país, e devem conseguir o que pedem para a categoria deles. Mas alguém terá que pagar a conta. Na economia real não existe almoço grátis. O governo irá baratear os combustíveis reduzindo o imposto incidente, mas deverá subir algum outro imposto para compensar. Quem duvida que logo vão começar a falar sobre a volta da CPMF novamente?


Em um estado gigante, com centenas de milhares de parasitas ganhando salários e benefícios sem produzir quase nada, por que não se fala em reduzir gastos do governo para poder reduzir impostos? Alguém acha que eles irão mexer nos próprios bolsos? Lembrando ainda que é ano de eleições.


Então, o que acho que vai acontecer é que o governo cederá aos caminhoneiros (usados pelas empresas transportadoras) e o setor deles sairá vencedor.


Mas e se outros setores importantes começarem a parar também? A usar a mesma estratégia? As finanças governamentais já estão estranguladas, o governo não tem para onde correr. É como cobertor curto. Dá mais para um e vai faltar para o outro.




Agora o mais importante: vocês viram o povo nas ruas apoiando os caminhoneiros? Agora já tem vídeos dos próprios caminhoneiros, dizendo que o povo se uniu a eles, pois não aguenta mais a situação do país do jeito que está. Milhares de pessoas nas ruas, em diversas cidades do país, marchando com suas bandeiras do Brasil, em apoio aos caminhoneiros, mas sem uma pauta  definida. Algo muito espontâneo, pois ninguém aguenta mais só dar dinheiro para o governo, mas sem nenhum foco.


No fundo, todo mundo está sentindo que a economia não está melhorando quase nada, o Brasil está se arrastando até as eleições, pra ver se chegando lá muda alguma coisa. Mas parece que nem o povo sabe o que quer. Ou não sabe como se mobilizar. Está pegando carona na manifestação dos caminhoneiros pra dar vazão a um sentimento de insatisfação geral.


Porém, sem lideranças para falar por ele, sem um sistema político que funcione, como responder ao que o povo pede? Através dos militares? Sinceramente, acho que governo militar também não vai resolver nada. Logo os caras irão se aproveitar de um esquema corrupto e serão mais do mesmo.


Estamos em um beco sem saída. O povo entrou na onda dos caminhoneiros, mas não acredita no sistema político vigente. Como externar, então, suas demandas? Quem será o porta-voz do povo nessa bagunça toda?




Aí a massa mais ignorante pode colocar um esquerdista de novo em Outubro, achando que podemos reviver o conto de fadas do Lulladrão na época de alta das commodities, e lá vamos nós pro buraco de vez. Talvez só passando pelo que a Venezuela está passando para esse país acordar.


Mas vamos ao que interessa nesse post.




Como pretendo ganhar com a crise?




Toda crise, por mais dolorida que seja,  revela suas oportunidades. Sempre que muitos estão perdendo de um lado, tem uma galera que está ganhando muito do outro.  E é o lado que quero estar.


Baseado em tudo isso que falei, a minha leitura é que o dólar irá subir ainda mais e a Bolsa cairá ainda mais. Mas quanto?


Partindo do pressuposto que essa crise dos caminhoneiros é apenas o começo, eu não acho loucura falar de uma queda adicional de 10 a 20% em Bolsa e o mesmo para a subida do dólar. Isso se o povo realmente comprar a idéia de continuar as manifestações nos próximos dias e o governo não conseguir botar um ponto final nessa crise. Essa é minha hipótese, o cenário que acho mais provável.




E por que eu penso assim? Porque estamos vivendo um momento de insatisfação generalizada e "pânico social". Mesmo sabendo que os fundamentos das empresas nada mudaram, acho que esses sentimentos podem contaminar os investidores e puxar a Bolsa ainda mais para baixo. Fora que haverá uma galera pesada que apostará nesse direção, forçando o mercado para baixo.


Essa é minha modesta opinião, e ditará como irei me posicionar com os investimentos nos próximos dias.


Então, já separei uma quantia para amanhã, sim amanhã, já começar a ficar vendido em Bolsa e comprado em dólar.


Lembro mais uma vez que isso não é recomendação. Não sou analista certificado, então não siga o que eu falo. Tome suas próprias decisões. Só estou compartilhado o meu racional e como vou especular nos próximos dias com essa situação e tentar faturar uma graninha.


Pretendo amanhã comprar PUTS (opções de venda), apostando na queda adicional da Bovespa, provavelmente alguma série de PETR4 e alguma de B3 (BOVA).


Adicionalmente vou alocar uma quantia boa em um fundo cambial, para me proteger do futuro nada promissor que, acredito, nos espera.


Que a força esteja com todos nós!!






Abraços





































quarta-feira, 23 de maio de 2018

"Quanto mais se ganha, mais se gasta" - o paradoxo da vida corporativa

Caros confrades da Finansfera e visitantes do blog.

Esperam que estejam todos bem.

Essa semana, conversando com meu chefe sobre carreira, sobre a situação da empresa (que não está muito bem agora) e outros temas relacionados ao trabalho, houve um daqueles raros momentos onde a pessoa fica tão à vontade que passa a contar a história de sua vida.

Então, falando de sua carreira, ele me confidenciou que sempre optou por uma trajetória de crescimento mais lenta e gradual, mostrando até um certo comodismo de quem não gosta de correr muitos riscos.  

Ele já está beirando seus sessenta anos de idade, tendo passado por umas três ou quatro empresas, em mais de trinta anos de carreira, e possui hoje um cargo executivo de alta relevância na organização. Seguramente tem um salário bem alto (chuto algo acima de 30K por mês), fora bônus bem gordos e alguns benefícios comuns a essas posições, como plano de saúde top e plano de previdência com boa contribuição da empresa.

Porém, como todo bom representante da comunidade dos blogs de finanças, sempre me pergunto: "será que esse cidadão soube gerenciar bem o seu dinheiro ao longo da vida? Construiu um bom patrimônio, que lhe gere uma renda passiva interessante? Tem um plano B caso as coisas dêem errado?".

A resposta, para surpresa de muitos, é um retumbante NÃO. Obviamente que não tenho intimidade para perguntar se a pessoa juntou uma quantia X ou Y ao longo da carreira, se soube investir o dinheiro, etc. Mas geralmente as pessoas deixam transparecer evidências bem claras de onde se encontram na escala da Independência Financeira.

O fato é que, em decorrência da situação financeira da empresa, e a falta de melhores perspectivas, já está rolando o famigerado "facão" na organização, ou seja, demissões em massa.  E nesses momentos, percebe-se claramente o nível de desespero daqueles que estão longe da independência financeira.

Geralmente esse grupo é bem fácil de identificar: consomem acima de suas possibilidades (gastam mais do que ganham), via de regra são salvos por receitas não recorrentes (13o, férias, bônus), tem nível baixo de educação financeira (tem orgulho de usar seu cartão Infinity ou do Itaú Personalité - mas não tem noção de quanto pagam por esses serviços) e, em muitos casos, a mulher não trabalha e tem um nível muito alto de consumo, principalmente no cartão de crédito.



Obviamente, que o cidadão em questão se encaixa nesse grupo, até pelo desespero que tem mostrado desde que a empresa engatou "ladeira abaixo".  Então, voltando ao início, quando ele me disse que sempre preferiu crescer de forma lenta e gradual, em lugares onde tivesse uma certa estabilidade, pensei comigo mesmo: "é bom você rezar então pra que esse crescimento lento e gradual nunca acabe, pois o tombo será muito forte e dolorido", dado o alto padrão de vida e consumo de sua família.

Infelizmente, essa situação é muito comum em nossa classe média. A pessoa vai subindo de posição e cargos em uma organização e quanto mais ganha, mais gasta.


Mas o que vejo de mais importante, e mais grave, nessa situação, é que geralmente as pessoas que tem um emprego desse nível, parecem meio anestesiadas da situação ao redor. Estão em uma zona de conforto muito perigosa, se achando eternos merecedores daquela posição por todo o seu histórico de crescimento na carreira. Me lembra aquela história do sapo escaldado na panela. Enquanto a água vai esquentando ele vai ficando acomodado, sem perceber que está muito próximo de morrer cozido.

Por outro lado, eu tenho passado pela mesma crise que essas pessoas, aguardando o mesmo "facão", mas, incrivelmente, estou muito mais tranquilo. E qual é o segredo?

Simples, é somente o resultado do esforço desprendido nos últimos anos para fazer patrimônio e buscar algum nível de independência financeira.

Apesar de ainda estar longe de onde gostaria de estar, em termos de patrimônio ou renda passiva, a reserva que construí até agora me permitiria passar uns anos sem um trabalho formal, ou "emprego", e pela primeira vez na vida eu vejo que isso não seria o fim do mundo. Depois de muito tempo, consigo ver uma situação dessas mais pelo lado da oportunidade do que da tragédia.

Mesmo que tivesse que queimar patrimônio durante algum tempo, tenho certeza que logo teria algo para me gerar renda. Talvez não no mesmo nível de meu emprego anterior, ao menos no começo, mas certamente após um tempo teria outra fonte de renda fazendo um trabalho mais autônomo e com horários mais flexíveis.

Amigos, sei que isso pode parecer uma grande viagem, mas qual é a grande mensagem aqui?

À medida que você avança no caminho da independência financeira, e começa a formar algum patrimônio, chega um momento que começa a ver uma luz no fim do túnel.  Você começa a perceber lá no fundo uma tranquilidade que não tinha antes e consegue se manter mais sereno em situações onde a maioria das pessoas perderia o controle.

Parece meio louco, mas lá no fundo, algo lhe diz que, se você perder o emprego por exemplo, pode até ser uma coisa boa. Um gatilho para começar coisas que sempre quis e nunca teve coragem.

Por isso que repito, o que muitos já falam aqui: faça sua reserva de emergência, que lhe permita viver pelo menos um ano sem trabalhar. Depois continue poupando e investindo mais. Para isso, poupe pelo menos 20% do que ganha, sem desculpas. Sei que para muitos pode ser bem difícil no começo, mas é o único caminho para as pessoas que tem um emprego "normal".

Não vou passar o "beabá" aqui, pois tem muito blog melhor que o meu onde tem todo o passo-a-passo pra se começar a poupar, investir e buscar a IF. Prefiro compartilhar meu aprendizado  contando minhas histórias e experiências, ao invés de passar "material técnico".

Por hoje é só....  eu quis compartilhar um pouco desse sentimento de tranquilidade que todos devemos conseguir na busca da IF. O sentimento de, aos poucos, deixar essa "matrix" que domina nossas mentes, da rotina de trabalho 8 x 5, da dependência de um bom salário, e de toda a cultura consumista que move a classe média atualmente.

Abraços