terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

De volta às postagens, vida nova e a importância do desapego...

Salve pessoal, 

Espero que estejam todos bem. Nos últimos meses parei de postar, pois estava bem desanimado e não tinha inspiração para vir aqui e escrever. Muita coisa mudou na minha vida nesse meio tempo, inclusive emprego e até a cidade onde moro. Então acho que isso me tirou um pouco do rumo.

Após vários "facões" na empresa, vi que o cerco estava se apertando e que poderia "rodar". Desta forma, antes que acontecesse o pior,  optei por fazer um acordo e pegar o famoso PDV (plano de demissão voluntária). 

Foi uma decisão difícil, pois eu não acreditava totalmente que poderia ser demitido, dado meu histórico de bom desempenho, mas acabei priorizando o aspecto de saúde (física e mental) sobre o financeiro. De um lado eu estava completamente desgastado, inclusive cheguei a ficar doente, com a famosa síndrome do burnout. Para se ter uma idéia, cheguei a ficar três noites seguidas sem dormir.  (É impressionante o quanto pessoas colocadas no "modo-sobrevivência" podem prejudicar umas às outras).  Por outro lado, vi que no PDV pegaria uma grana razoável. Só de extras (além de rescisão e FGTS, que pretendo não gastar) entrou uma grana que me permite viver por um ano, em modo mais frugal do que estava acostumado. 

E, ao contrário dos casos catastróficos que são mostrados na mídia, de gente desempregada há mais de dois anos, não imagino que terei tanta dificuldade para achar outro emprego, baseado em meu currículo e contatos. Além do mais, agora estou morando com a Sra.Samurai em uma cidade maior onde ela terá muito mais facilidade para achar emprego em sua área. Então serão dois remando o barco. E nem sei se quero voltar para o mercado tão cedo. 

Nós, de classe média (a maioria aqui, acredito), somos educados para acreditar que as coisas na vida são sempre uma crescente. Estude mais e tenha mais chances. Esforçe-se mais que os outros, seja promovido e ganhe mais. Principalmente aqueles que buscam carreiras tradicionais e optam por trabalhar para os outros. Em nossas cabeças, o modelo de crescimento predominante é linear. Passo a passo. Degrau a degrau. Não existem saltos ou descontinuidades no caminho. 

Acontece que, quanto mais você vai progredindo nas organizações, a competição fica mais atroz, e até desumana. É matar ou morrer. E geralmente quem ganha é quem cultiva mais fortemente essa mentalidade na cabeça: de que deve estar sempre progredindo, indo para frente (ou para cima), custe o que custar. 

No meu caso, progredi até que bem. Mas chegou num ponto que os questionamentos nunca saíam da minha cabeça: "até onde vale a pena continuar nessa corrida dos ratos"? "Estou ficando velho e não estou aproveitando a vida". Será que o modelo correto é se matar de trabalhar, envelhecer 10 anos em dois, ficar careca e diabético aos 30, obeso e com pressão alta aos 40 , para curtir a vida só no dia da independência financeira? Obviamente exagerei no exemplo, mas todo mundo conhece alguém assim, não é mesmo?

O bem mais precioso que existe nessa vida, depois da saúde, é o tempo. Estou aproveitando esse tempo "livre" (da corrida dos ratos) para reprogramar minha vida, cuidar da saúde (malhando muito, resolvendo todas as pendências médicas), dos relacionamentos, e aprender coisas novas. 

Outra coisa que tenho praticado é o tal do desapego. Como mudei para um apartamento menor, tive que me desfazer de muita coisa. E é impressionante o tanto de tranqueiras que eu tinha acumulado. Só de livros, devo ter doado uns 100 para um sebo. Fora móveis e utensílios, que você acha que tem algum valor, mas vai ver na OLX e mal pagam cem reais. No fim, a maioria foi tudo doado mesmo. E é muito bom ver a casa mais espaçosa sem coisas desnecessárias. Estou pensando, inclusive, em me desfazer do carro, e testar o aluguel de veículo, comparando os custos. 

Para finalizar, mesmo com todas essas mudanças, minha carteira financeira cresceu bastante com as verbas rescisórias mais o PDV.  Mas, como falei, um tanto já está separado na reserva de emergência, para viver até que esteja trabalhando em outro lugar, ou com outra coisa. Então, se eu conseguir algo que me pague os custos fixos logo, antes de queimar muito dessa reserva, ao final do ano meu patrimônio terá dado um belo salto. Porém essa é justamente a mentalidade que quero combater. Afinal de contas, se tiver que gastar a reserva toda, foi feita para isso mesmo. Mas ainda predomina aquela mentalidade do aportador, de que o patrimônio sempre deve crescer. O tal do pensamento linear que mencionei no texto. 

Abraços











13 comentários:

  1. Samurai, as vezes precisamos dar um passo para trás para nos impulsionarmos para a frente. Acredito que a economia como um todo irá aquecer nos próximos meses e isso gerará empregos, assim, concordo com você, em pouco tempo conseguirá uma recolocação.

    https://colecionandomoedinhas.blogspot.com/

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    1. Amigo, pensei muito nessa questão de um passo para trás e dois para frente antes de pedir para sair. Mas depois que você sai, depois de tanto tempo no mundo corporativo, rola uma insegurança de ficar parado. Mas, sim, ofertas de recolocação sempre tem aparecido para mim, mas talvez eu vá para um lado mais empreendedor, ou autônomo , agora. ABS.

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  2. Seja bem vindo de volta Samurai , seus posts fizeram falta ai na Finansfera.

    Caraca velho , que bad ficar desempregado , cada dia parece que ta ficando mais dificil para o Assalariado.

    Quando vi desapego no post , achei que tinha terminado com sua mulher haha.

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    1. Fala playboy, KKK...pensou que eu tinha dado um chute na bunda da mulher? Não, foi só o lado profissional mesmo. No meu caso , a tragédia já era anunciada, pois a empresa estava indo para o buraco faz tempo, mas eu já estava me preparando para o pior.

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  3. Entendo bem essa parte do desapego, devido à minha mudança de país tive que me desfazer de praticamente tudo... na hora dói mas depois nem faz falta. Na verdade consegui colocar toda a minha vida em duas malas de 32kg e já estou achando muito, tenho certeza de que só preciso de um par de roupas, um celular e um notebook pra viver hoje em dia!rs

    Sr.IF
    www.srif365.com

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    1. Cara, sempre que eu escutava as pessoas falando da importância do desapego, até para se sentir bem na casa, achava um papo meio esotérico. Mas me livrar de coisas que guardava há oito ou dez anos, foi um exercício bem interessante.

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  4. Olá Samurai,

    Me identifico com a parte de progressão na carreira. Também comecei a me questionar e com isso parei de querer mais e mais. Tudo bem que fiquei acomodado desde então. E com a crise que assolou vi que não posso ficar dependendo só daqui ou de qualquer outro lugar.

    Então meus esforços estão em aumentar renda extra.

    E sobre gastar a reserva de emergência, deve ser uma guerra mental essa parte hein?

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    1. Inglês, você foi no ponto chave. Eu já tinha uma boa reserva de emergência antes, e com as verbas de rescisão meu patrimônio deu um salto. Aí fica aquele dilema na cabeça: faço o mais comodo , buscar um emprego e voltar para a corrida dos ratos (garantindo esse aumento de patrimônio) ou penso no meu bem estar e tento fazer outras coisas que sempre tive vontade (empreender por exemplo)

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  5. As vezes é bom dar uns 2 ou 3 passos pra trás, parar e dar uma pensada na vida. Afinal dessa vida a gente só leva o que a gente vive mesmo...

    Boa sorte na sua jornada daqui pra frente!

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    1. Obrigado Wannabe. Vou pensar com calma mesmo, antes de tomar qualquer decisão precipitada.

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  6. Olá samurai, espero que estejam bem.
    Você já leu o livro Antifragil? A classe média se acha em uma crescente - boa observação.

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  7. Olá CF. Não li esse livro não. Coincidentemente procurei ontem em uma livraria. Eu li o Cisne Negro, do Taleb também. E na livraria ontem li o prefácio do último (Skin in the game). Gosto muito das ideias do Taleb, como ele desafia o pensamento convencional (que acaba sendo também o oensapensa da classe média).

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  8. Salve, Samura.

    Cara, ao menos você tem reservas financeiras. Agora, imagine aquele seu colega de trabalho que você mencionou no outro post (acho que era um chefe seu, não lembro agora) que você disse que demonstrava preocupação e muito medo de ser demitido por conta do financeiro. Pensando por outro lado, sempre pode piorar, cara. Você ainda saiu ileso dessa! Boa sorte nos projetos futuros!!

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