domingo, 27 de agosto de 2017

ATIVIDADES ESCALÁVEIS: você precisa de uma para enriquecer


Fala galera,
 
Tenho lido alguns livros bem interessantes, e um deles, que recomendo fortemente a todos os investidores, é “A lógica do Cisne Negro” de Nassim Nicholas Taleb.
O livro trata basicamente de eventos extremamente improváveis, os chamados Cisnes Negros, e como estes tem definido a história da humanidade, como guerras, o atentado às torres gêmeas ou a crise no mercado financeiro em 2008.
Gosto, particularmente, da maneira como ele levanta as fragilidades de nossa mente em relação à eventos extremos e indesejáveis. Segundo o autor, nossas mentes estão programadas para compreender o mundo sob a lógica da curva normal (ou curva de Gauss), onde todos os fenômenos tem uma variação mais ou menos esperada e, inconscientemente, tendemos a relevar ou menosprezar os riscos de situações mais catastróficas, os Cisnes Negros.
De forma análoga, um Cisne Negro também pode ser um evento positivo, desde que seja inesperado e cause um grande impacto. Como exemplo ele cita o sucesso de alguns poucos artistas, como J.K.Rowling, autora da série Harry Poter. A lógica é que, nesse mercado, alguns poucos autores acabam vendendo dezenas de milhões de livros enquanto milhares de outros autores com trabalhos de qualidade similar acabam no “limbo”, sendo a aleatoriedade muito mais importante para o sucesso de alguns poucos autores, do que simplesmente serem melhor que os outros.
Mas o que isso tem a ver com ganhar ou juntar dinheiro? Explico.
Não pretendo fazer uma resenha do livro, mas há um capítulo que me abriu muito a mente, onde ele fala do fenômeno da ESCALABILIDADE.
Pensemos em algumas profissões tradicionais como médico, padeiro ou outras mais alternativas, como as prostitutas. O que elas tem em comum?
Não são escaláveis.
O médico, apesar de ganhar bem, tem uma capacidade finita de atender pacientes e sua renda vai estar em linha com este tempo disponível para os atendimentos. A prostituta, assim como o médico, também precisa estar lá, para fornecer o serviço, e vai lucrar conforme quantidade ou a hora de trabalho. Desculpem-me pelo exemplo chulo, mas é o mesmo do livro.
Agora vamos pensar em profissionais que criam algo. Por exemplo, imagine que você crie um software ou aplicativo e este se torne bem sucedido em termos de demanda.
Você gastou um tanto de horas no desenvolvimento e testes até colocar para vender. Mas a partir daí, você não precisa fazer mais quase nada. As pessoas simplesmente farão downloads e o dinheiro cairá na conta. Lógico que simplifiquei o processo, mas é só para passar o conceito: nesse caso você tem uma atividade ou trabalho ESCALÁVEL. 
Vamos voltar ao exemplo da J.K.Rowling. Ela gastou todo o esforço, ou a maior parte, na fase de criação do livro. A partir daí, com o sucesso de vendas, ela não tem trabalho extra de criação. Talvez tenha que atender um ou outro evento de divulgação para aumentar as vendas. Ou esteja contente com o que já ganhou e não precise fazer mais nada. Por outro lado, o padeiro, sempre terá o esforço extra de fazer o próximo pãozinho para que seja vendido.
Agora volto à questão inicial: se você realmente quer ficar rico, o que é mais fácil? Ficar mais 10, 15 ou 20 anos em um trabalho comum, onde você troca um determinado número de horas por um determinado salário (atividade NÃO ESCALÁVEL) para aportar uma porcentagem por mês? Ou vale apostar em uma atividade escalável?
O leitor mais atento já deve ter sacado: em grande parte, atividades escaláveis tem a ver com EMPREENDEDORISMO. Mesmo o autor de um livro, foi empreendedor em certa medida. Ele criou um produto.
Se listarmos as maiores fortunas do mundo hoje, são de pessoas que empreenderam, e começaram uma atividade escalável.
Jeff Bezos, fundador da Amazon, também trabalhou um dia como funcionário, em um grande banco de investimentos em Wall Street. Ganhava muito bem, incluindo bônus bem gordos. Talvez tivesse um patrimônio de alguns mihões de dólares. Mas tinha uma visão, e resolveu sair para abrir inicialmente uma livraria online. Recentemente, se não me engano, sua fortuna chegou a 90 bilhões de dólares. Negócio escalável.
Não estou falando que todo mundo irá virar um Jeff Bezos ou Bill Gates um dia. Somente quero ressaltar que, para realmente ganhar dinheiro, e muito mais rápido, você precisa ter uma atividade escalável. Criar algo que tenha valor de mercado e que possa ter seu valor multiplicado de forma não linear, como um Cisne Negro. Algo que possa crescer de forma exponencial, sem que você tenha que colocar o mesmo esforço sempre para o mesmo retorno.
Descendo ao mundo dos “mortais” e de histórias reais, tenho amigos que empreenderam e em poucos anos saíram de patrimônios como o que vemos nos rankings da finansfera (a maioria entre R$100.000 e R$400.000) para patrimônios acima de 10 milhões.
Todos eles criaram algo onde eles não tem que fazer mais esforço como o inicial. A roda de certa forma “gira sozinha”.  Alguns tem mais pessoas trabalhando para eles, outros menos. Mas para cada valor hora pago a um funcionário, que tem que vender ou manter a empresa ou os produtos/serviços que ELES CRIARAM, eles tiram proporcionalmente MUITO MAIS. Em relação às horas pagas aos funcionários, o ganho deles não é linear é exponencial.
Tem risco envolvido? Lógico que tem. Senão todo mundo largava seu empreguinho com salário fixo hoje e estava começando algo do zero amanhã.
O Bastter sempre diz que tentou uns 30 negócios até seu site de finanças dar certo. Teve até um outro site dele, sobre cuidados médicos se não me engano, que também deu razoavelmente certo, segundo ele. Mas o importante é que ele foi tentando, até virar. E assim é a história da maioria dos empreendedores.
Estou trabalhando em uma atividade escalável, uma idéia por enquanto, em paralelo a meu trabalho na iniciativa privada. O grande problema é o tempo para desenvolver algo decente quando você já gasta de 8 a 10 horas em um escritório trabalhando para os outros. Soa familiar? Claro, acredito que meu dilema seja o mesmo de muitos aqui.  
Mas acredito ser essa a diferença entre os grandes casos de sucesso e o restante da população.
Se você tem um emprego fixo, padrão, está “na média”, e provavelmente é classe média também assim como eu. “Na média” você sabe quanto ganham todos que fazem a mesma função que você. “Na média” sabe quando ganha um gerente, um diretor e até o presidente de sua empresa. E sabe, “na média”, quando vai ganhar nos próximos 5 ou dez anos, não sabe? Deve ter até uma planilha, fazendo projeções em cima dos aportes, prevendo seu aumento patrimonial, não? Eu também.
Amigos, bem vindos ao “MEDIOCRISTÃO” como o Taleb define no livro, onde tudo é previsível e as coisas não são escaláveis.
Agora, se você quer dar realmente um salto na vida, de grande impacto, não linear, você deve fazer parte do EXTREMISTÃO, deve ser um CISNE NEGRO pelo menos para sua vida, ou tentar criar um CISNE NEGRO (algo que para os outros terá grande impacto e era até então imprevisível), uma empresa, um produto, algo ESCALÁVEL.
Para isso temos que mudar completamente a mentalidade, abandonar antigas crenças, sair da zona de conforto e ENCARAR RISCOS.
Estou tentando trabalhar fortemente minha mente, para mudar o comportamente de sempre buscar estar na média, se contentar com o esperado. Aportar todo mês, esperando quietinho, juros compostos fazendo efeito. Sei que posso estar indo contra muito do que é pregado aqui e deve gerar comentários negativos. Mas acho que vale o debate.
Há caminho certo para a independência financeira? Assumir mais riscos ou seguir somente o caminho tranquilo dos aportes?
Acho que é uma escolha pessoal.  
E você, o que prefere?
Abraços.

15 comentários:

  1. Ótimo post! Eu aos 44 penso em que negócio investir, mesmo com o patrimônio que tenho.

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    1. HM, obrigado pela visita!
      Com certeza, mesmo com um patrimômio que tem, se vc investir em algo escalável, vai encurtar muito o tempo que estima para chegar na IF.
      Abraços

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  2. Olá, SF.

    Texto preciso e bem colocado.

    Acho que o catalisador da busca pela IF está muito além do amor aos centavos, está na capacidade de criar, rentabilizar e automatizar processos.

    Um abraço fraterno,
    Don Lobo.

    http://negociosdonlobo.blogspot.com.br/

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  3. Meu camarada, parabéns pelo post. Obrigado pela recomendação do livro. Adoro ler conteúdos diversos e que confrontam o senso comum. Em relação ao trabalho de acumulação e esperar os juros compostos, acho válido. Ninguém sabe se vai achar o tal cisne negro durante sua vida. Até mesmo se achar, na maioria das vezes é necessária alguma grana, e é importante estar preparado.
    Eu também estou à procura do meu cisne. Já tive experiencia em construção, mas depende muito do mercado tb, mas é uma coisa que deu certo pra mim. Abraços

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. SB, que bom que gostou! Não é um livro fácil. Confesso que é uma leitura bem densa, mas os conceitos são bem interessantes. O que citei aqui é uma parte muito pequena do livro.
      Entendo que o lance de achar um "cisne negro" ou um negócio escalável que dê certo é difícil mesmo. As estatísticas de negócios que não vão para a frente falam por si. Aí acho que entra muito da obsessão, de tentar, tentar, até fazer virar. E isso geralmente quem tem não é quem está bem empregado e sim que está disposto a tudo pois não tem muito a perder.
      Abraços

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  4. Olá Samurai, ótimo post. O Taleb é um baita autor.

    Já conhecia o conceito de escalabilidade do livro Personal MBA, onde o autor recomenda criar um negócio escalável e global. Escalável para sobreviver pequeno e aproveitar a possibilidade de servir um número grande de pessoas, e global para ser aceito além do seu bairro.

    Essas características tem a ver com a própria sobrevivência, como descreve o Taleb (ouvi o livro Antifragil).

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    1. Legal CF, também estou pensando em criar um pequeno négocio que seja escalável. Se um negócio desse vira, antecipa muito a IF. E, aproveitando que citou o Antifrágil: acho que o conceito é esse mesmo. Apostar em algo onde, se perder, não perde muito, mas se virar, ganha proporcionalmente muito mais.
      Abraços

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  5. Exatamente Samurai, já tentei fazer vários negócios mas nunca ia pra frente por falta de tempo. Mesmo tendo outros sócios na jogada, é difícil todos ter o mesmo nível de comprometimento o que desmotiva um pouco no geral.

    Chegamos ao cúmulo de ter o principal que era um cliente e não conseguimos entregar o produto pois nosso tempo de desenvolvimento do projeto estava restrito aos finais de semana...

    Eu acredito que realmente dá pra manter um emprego e tocar paralelamente um projeto, mas no nosso caso não deu certo por perda de foco, desmotivação e uma série de outros fatores internos e externos.

    Hoje estou formulando uma nova estratégia que é reservar uma grana para o projeto como capital inicial da nova empresa e usar essa grana para pagar o meu salário e dos outros funcionários, assim, podendo largar o emprego e dedicar 100% ao projeto.

    Essa é a das mais arriscadas estratégias, mas acredito que mesmo se falhar, vou ter ganho uma puta experiência e por me dedicar 100% dessa vez, o projeto deve andar finalmente.

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    1. Thiago, estou pensando seriamente nessa opção também, mas um pouco mais para frente. Primeiro quero tentar um negócio em paralelo ao meu emprego. E imagino que em 2 a 3 anos, terei uma reserva suficiente para largar o emprego e me dedicar 100% a um negócio próprio. O importante é ter um bom plano e dar o primeiro passo.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Excelente post, parabéns! Não faço ideia de que tipo de produto ou serviço eu poderia criar.

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    1. MIN,obrigado pela visita. Pensar em algo que possa ser vendido e atenda a necessidade de alguém é a essência do empreendedorismo. Também estou pensando bastante em alguma idéia.

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  8. Excelente o seu post Samurai!

    Eu já até levantei discussão semelhante a essa no meu blog:

    http://ministrodoinvestimento.blogspot.com.br/2017/06/a-blogosfera-esta-disseminando-uma.html

    A verdade é que se passarmos 20 anos economizando nosso salário e aportando, chegaremos sim a independência financeira, mas em qual nível de IF?

    Desenvolver um negócio lucrativo e escalável tem o poder de fazer com que a caminhada para a IF e a própria IF deem um salto evolutivo!

    Claro que criar esse "negócio lucrativo e escalável" não é fácil, mas não se consegue sem tentar!

    Vou te add no meu blogroll!

    Abraços!

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    1. Olá SM,
      Vou ver seu post e te add sim.
      Realmente acho que se persistir dá para antecipar em alguns anos a IF. Ficar 20 a 30 anos juntando um X do salário para curtir só na velhice me parece um pouco penoso.
      Abraços

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